Falando de Cores

Muitas vezes não nos apercebemos da importância de determinadas coisas em nossas vidas. As cores são uma dessas coisas corriqueiras, presentes em toda parte, das quais não nos damos conta. Somente se imaginarmos o mundo sem cores é que podemos avaliar sua importância.

Mundo Colorido Mundo Sem Cores

O que chamamos de cores são as sensações que os raios luminosos provocam em nossos órgãos visuais. Nossos olhos são sensíveis a uma parcela das emissões de ondas eletromagnéticas do sol, que chamamos de luz branca. Esta é formada de vários comprimentos de onda distintos, cada um caracterizando uma cor, como vemos no arco-íris. Já a cor que observamos em um objeto, sob luz branca, é resultado deste refletir apenas uma parte das cores componentes da luz. Pesquisas científicas têm demonstrado que as cores exercem grande influência sobre o estado de ânimo das pessoas. Por exemplo, as cores vermelho, amarelo e laranja, chamadas cores quentes, são vibrantes, causam excitação e sugerem ação, movimento, força, atração; enquanto que as cores azul, verde e roxo, chamadas cores frias, transmitem a sensação de tranqüilidade, compreensão, paciência, debilidade e repulsão. Esse conhecimento torna-se muito útil para setores profissionais que são fortemente influenciados pelo uso das cores, como a publicidade e a confecção de embalagens e vestuário. A aplicação criteriosa das cores facilitaria a aceitação e a comercialização dos mais variados produtos. Está comprovada a existência de uma relação direta entre as cores e a mente humana, não se restringindo ao estado de ânimo, sendo mesmo capazes de influir no estado físico e psíquico, o que justifica sua utilização cuidadosa em clínicas de repouso e hospitais psiquiátricos. Algumas pessoas acreditam que as cores, por serem emanações eletromagnéticas e possuírem vibrações específicas, têm propriedades terapêuticas. Desta maneira, poderiam influir diretamente na revitalização de órgãos e nervos, possibilitando a cura de enfermidades e estados patológicos. A esse procedimento deu-se o nome de "cromoterapia", ou seja, a cura através das cores.

Cor-Luz

No século XVII, estudando as propriedades refratoras dos corpos transparentes, Isaac Newton decompôs a luz branca utilizando um prisma triangular de cristal. Depois, a recompôs, utilizando um segundo prisma invertido. Desta forma, ele constatou que as cores do espectro visível (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta), antes tidas como uma qualidade do material refrator que alterava a cor da luz, eram as componentes da luz que as gerara. A luz branca, composta pelas sete cores do arco-íris, conforme demonstrado por Isaac Newton, pode ser sintetizada em suas três componentes básicas ou cores primárias: verde, vermelho e azul (anil). Combinadas duas a duas, formam as secundárias: amarelo, magenta e ciano.

amarelo = verde + vermelho
magenta = azul + vermelho
ciano = verde + azul

Cores-Luz

A cor complementar de uma primária é aquela formada pela combinação das outras duas (ou sua equivalente no espectro solar), de tal modo que, somada à primeira, resulta em luz branca. Esta mistura é chamada síntese aditiva.

Cor-Pigmento

Para representar o mundo em que vive, o homem procurou na natureza elementos que tivessem cor, para com eles colorir seus utensílios, suas roupas, seus desenhos e suas pinturas. Esses elementos corantes chamam-se pigmentos, são extraídos de minerais e vegetais e estão presentes em todas as tintas. Atualmente, a maioria dos pigmentos são sintéticos, obtidos por processos químicos industriais.
A utilização prática de tintas e pigmentos ao longo do tempo, fez o homem entender que as cores poderiam ser sintetizadas em suas componentes básicas, chamadas cores primárias, a partir das quais todas as outras poderiam ser formadas. Existem três pigmentos básicos: vermelho, amarelo e azul. É a partir da combinação das cores primárias (pigmentos básicos), duas a duas, que obtemos as cores secundárias, que são: laranja, verde e roxo.

verde = amarelo + azul
laranja = amarelo + vermelho
roxo = azul + vermelho

Círculo Cromático

Isaac Newton criou o primeiro disco ou círculo cromático, onde colocou as sete cores do arco-íris, cada uma ocupando um ângulo específico. Ao girá-lo rapidamente, misturou-as, formando o "branco teórico". Partindo do disco que Newton utilizara para demonstrar sua teoria sobre as cores, Goethe organizou um novo disco contendo apenas seis cores, onde contrapunha as cores complementares. Nesse disco, ficava evidenciado o aspecto subjetivo das cores, traduzido em dois sentidos, positivo e negativo, representando as cores quentes e frias, respectivamente.


Círculo Cromático

Cores complementares são aquelas que se encontram opostas no círculo cromático. Diz-se que cada cor secundária é complementar da cor primária que não entrou na sua formação. Assim, para o azul, temos a complementar laranja; para o vermelho, temos a complementar verde; e para o amarelo, temos a complementar roxo. Sua mistura gera um cinza escuro e é chamada síntese subtrativa.

Os estudos mais recentes apontam a necessidade de correção na utilização das cores-pigmento (opacas), pois, como descritas acima, não seriam capazes de evitar alguns desvios. Para sanar as distorções decorrentes desses desvios, as cores-pigmento utilizariam como primárias as complementares das cores-luz, ou seja, as secundárias. Trata-se do sistema de Cores-Pigmento Transparentes. Este padrão pode ser observado nas impressoras domésticas e de pequeno porte que, imprimindo em camadas sobrepostas, são capazes de gerar todas as cores, pela combinação de suas primárias, que são: o amarelo, o magenta e o ciano. O preto é o resultado da mistura das três primárias, embora , geralmente, as impressoras utilizem um cartucho preto, para dar maior definição à imagem impressa.

Cores-Pigmento Transparentes

Apesar de serem necessários para compor toda a gama de cores, o preto, o branco e o cinza não são considerados cores, propriamente. O branco representa a capacidade de refletir todas as cores, ao passo que o preto absorve todas elas. Já o cinza reflete-as parcialmente. Por essa razão, são chamadas cores neutras, mas, na verdade, representam valores tonais.

Valor é o grau de claridade ou obscuridade de uma tonalidade, seja cromática ou acromática, onde branco e preto são os extremos.
Uma escala com variações tonais entre o branco e o preto, ou seja, com tons de cinza, recebe o nome de Escala Acromática.

Escala Acromática

Já uma escala com variações de tonalidade de uma única cor recebe o nome de Escala Monocromática. Numa escala monocromática, aumentamos o valor tonal de uma cor quando lhe acrescentamos branco; ou o diminuímos, acrescentando-lhe preto, separadamente.

Escala Monocromática

Quando um trabalho artístico utiliza apenas branco, preto e cinza em sua confecção, dizemos tratar-se de uma composição acromática.
Ao empregar apenas as variações de tonalidade de uma única cor, esta composição recebe o nome de monocromia (ou composição monocromática).
Ao passo que, a utilização de várias cores, com ou sem variações de tonalidade, em uma única composição, caracteriza uma policromia (ou composição policromática).

Composição Acromática Monocromia Policromia

Intensidade

Quando temos uma cor totalmente saturada, isto é, quando se trata de uma cor fortemente definida, dizemos que está em sua intensidade máxima. Qualquer mudança nessa cor implica em uma perda de intensidade. Por exemplo, se acrescentarmos preto a essa cor, reduzindo seu valor tonal, estaremos reduzindo, também, sua intensidade. No entanto, se acrescentarmos branco a essa mesma cor, estaremos aumentando seu valor tonal, mas, diminuindo sua intensidade. A variação de intensidade de uma única cor (monocromática), traduz-se em seu grau de aproximação em relação a um valor acromático. Porém, se lhe acrescentarmos uma outra cor, estaremos descaracterizando a primeira, particularmente, se a cor utilizada for sua complementar, o que resultaria em sua gradativa neutralização.

Escala de Intensidade da Cor


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